segunda-feira, 11 de junho de 2012

Ana Moura - Leva-me Aos Fados






Ana Moura
Leva-me Aos Fados
Universal (2009)

Desde menina que tem contacto com o Fado. Os seus pais cantavam,  além de outros estilos, o Fado, e o seu pai tocava viola. Os seus fins-de semana eram passados a ouvi-los, em convívio com os amigos, e o Fado foi sentimento que esteve sempre presente. Ao crescer, desenvolveu curiosidade por outros géneros musicais, géneros esses que cantou, mas, que rapidamente preteriu em prol da música de alma portuguesa.

Começou a frequentar o meio fadista e Jorge Fernando foi das primeiras pessoas que conheceu. Foi este, conjuntamente com Tozé Brito, que a convidou a gravar o seu primeiro disco. Desde então, Jorge Fernando acompanha Ana Moura em todo o seu desenvolvimento e em todos os seus trabalhos. É também, além de compositor e Viola, o produtor de todos os seus discos.

O primeiro disco, Guarda-me a Vida na Mão, surge em 2003. No ano seguinte aparece-nos com Aconteceu. Só passados três anos, em 2007, regressa com Para Além da Saudade. E é em 2009 que nos chega Leva-me aos Fados.

Nota-se um amadurecimento de disco para disco, o que se deve, maioritariamente, ao facto da sua opinião estar mais presente, como a própria fadista afirmou. A identidade de Ana Moura faz-se notar mais, o que pode muito bem dever-se ao facto de juntamente com Jorge Fernando ter criado ao longo destes anos de trabalho em conjunto, uma grande cumplicidade. Facto que permite ao compositor perceber o que melhor vai encaixar no perfil da fadista e também o que esta mais aprecia e/ou  pretende.

Por tudo isto, Leva-me aos Fados é o álbum onde os padrões estão mais elevados. Produção que conta com a participação de um grande guitarrista português, Custódio Castelo, que, além de executar genialmente a Guitarra Portuguesa, assume também o papel de co-produtor, aliás, como já tinha acontecido no disco anterior.

Mais uma vez usando palavras da cantora, ela tenta que o canto venha da alma e que a alma tire partido da voz para transmitir aquilo que quer. Isso é algo que influência um elemento musical deveras importante, a dinâmica. E é isso que Custódio Castelo acrescenta ao álbum, muita energia e muita dinâmica.

É um álbum com alta qualidade e criatividade. Numa linha um pouco diferente do registo tradicional, a participação dos Gaiteiros de Lisboa, no tema “Não é um Fado Normal”, representa um afastamento que atinge o pico. Neste tema cria-se uma fusão pouco ou nada usual em Fado.

Leva-me aos Fados é mais sofisticado e esteticamente mais apelativo.  Resultado do amadurecimento também pessoal da fadista. A capacidade técnica de Ana Moura é perfeita!  A sua voz forte é usada com sabedoria e sem excessos, é sublime e envolvente.
Os poemas são tão ou mais importantes no sucesso de um Fado que propriamente a voz que o canta. Neste caso, são a junção perfeita. Soam ambos feitos um para o outro. Ana Moura tem o privilégio de cantar poemas que têm a capacidade de ser bastante actuais mas soarem nostálgicos.

Que dizer mais? A produção, os músicos, as músicas, os poemas e, acima de tudo, Ana Moura estão num registo de qualidade extrema.

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