Ana
Moura
Leva-me Aos Fados
Universal
(2009)
Desde menina que tem contacto com o Fado. Os seus pais cantavam, além de outros estilos, o Fado, e o seu pai tocava viola. Os seus
fins-de semana eram passados a ouvi-los, em convívio com os amigos, e o Fado
foi sentimento que esteve sempre presente. Ao crescer, desenvolveu curiosidade
por outros géneros musicais, géneros esses que cantou, mas, que rapidamente
preteriu em prol da música de alma portuguesa.
Começou a frequentar o meio fadista e Jorge Fernando foi das primeiras
pessoas que conheceu. Foi este, conjuntamente com Tozé Brito, que a convidou a gravar o seu primeiro disco. Desde
então, Jorge Fernando acompanha Ana
Moura em todo o seu desenvolvimento e em todos os seus trabalhos. É também,
além de compositor e Viola, o produtor de todos os seus discos.
O primeiro disco, Guarda-me a Vida na Mão, surge em 2003. No ano seguinte aparece-nos
com Aconteceu. Só passados três anos,
em 2007, regressa com Para Além da
Saudade. E é em 2009 que nos chega Leva-me
aos Fados.
Nota-se um amadurecimento de disco para
disco, o que se deve, maioritariamente, ao facto da sua opinião estar mais
presente, como a própria fadista afirmou. A identidade de Ana Moura faz-se notar mais, o que pode muito bem dever-se ao facto
de juntamente com Jorge Fernando ter
criado ao longo destes anos de trabalho em conjunto, uma grande cumplicidade.
Facto que permite ao compositor perceber o que melhor vai encaixar no perfil da
fadista e também o que esta mais aprecia e/ou
pretende.
Por tudo isto, Leva-me aos Fados é o álbum onde os padrões estão mais elevados.
Produção que conta com a participação de um grande guitarrista português, Custódio Castelo, que, além de executar
genialmente a Guitarra Portuguesa,
assume também o papel de co-produtor, aliás, como já tinha acontecido no disco
anterior.
Mais uma vez usando palavras da cantora,
ela tenta que o canto venha da alma e que a alma tire partido da voz para
transmitir aquilo que quer. Isso é algo que influência um elemento musical
deveras importante, a dinâmica. E é isso que Custódio Castelo acrescenta ao álbum, muita energia e muita
dinâmica.
É um
álbum com alta qualidade e criatividade. Numa linha um pouco diferente do
registo tradicional, a participação dos Gaiteiros
de Lisboa, no tema “Não é um Fado Normal”, representa um afastamento que
atinge o pico. Neste tema cria-se uma fusão pouco ou nada usual em Fado.
Leva-me
aos Fados é mais sofisticado e esteticamente mais apelativo. Resultado do amadurecimento também pessoal da
fadista. A capacidade técnica de Ana
Moura é perfeita! A sua voz forte é
usada com sabedoria e sem excessos, é sublime e envolvente.
Os poemas são tão ou mais importantes no sucesso de um Fado que
propriamente a voz que o canta. Neste caso, são a junção perfeita. Soam ambos
feitos um para o outro. Ana Moura tem o privilégio de cantar poemas que têm a
capacidade de ser bastante actuais mas soarem nostálgicos.
Que dizer mais? A produção, os músicos, as músicas, os poemas e, acima
de tudo, Ana Moura estão num registo de qualidade extrema.

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