Os Pontos Negros
Magnifico Material
Inútil
Flor Caveira (2008)
Como uma lufada de Rock feito por gente nova, Magnífico
Material Inútil é novo na idade e novo no meio musical português, legítima
estreia que colocou Os Pontos Negros
nas bocas do mundo e na boa companhia da Flôr
Caveira.
Os
Pontos Negros apresentam-se como uma banda simples, vinda de um local
simples, do subúrbio. E este albúm apresenta-se também ele simples, o que não
se confunda com simplório, pois a complexidade do sarcasmo que podemos ouvir
nas letras em bom português e na musicalidade pronta a redefinir as linhas do
melhor “Roque Enrole”, não são obra
do acaso.
Como é bom, ouvir gente nova a usar a
língua de forma tão refinada para falar de problemas que assolam um
pós-adolescente como em “Conto de Fadas de Sintra a Lisboa” ou descrever o
pós-adolescente nos primeiros versos de “Armada de Pau”. Música repleta de
entusiamo e frescura que ao longo de 13 temas junta influências tão antigas
como os Rolling Stones, ao lado de
mentores Indie/Rock do novo milénio,
como os White Stripes ou os Strokes. Escutar o orgão de “Igreja
Baptista” e aquele som das palmas tão típicas do Gospel, enquanto as guitarras se silenciam para quatro vozes
adolescentes cantarem: “o futuro trará
grande lamento”, é de prestar atenção.
Se Os
Pontos Negros fossem britânicos muito provavemente seriam uma banda de Indie Rock, aqui em Portugal fazem
apenas “Roque Enrole” e o mais genial
disto tudo… com um Magnífico Material
Inútil.

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