Toranja
Esquissos
Universal
Music Portugal (2003)
Segundo a banda, Esquissos, significam: rascunhos. Para este disco de estreia dos
lisboetas Toranja, os rascunhos são estudos
que se vão rabiscando por ideias, expectativas e sonhos de histórias comuns e
reflexos de nós próprios. A estreia dos Toranja
é uma daquelas raras oportunidades de ouvirmos uma profunda reflexão sobre
sentimentos e uma enorme quantidade de pessoas.
E o que se pode ouvir são 12 temas onde a
palavra “vulgaridade” não tem
qualquer significado. Ouve-se um Pop/Rock
extenso e absolutamente puro em toda a sua complexidade lírica e
simplicidade melódica. A lírica aliás, seguramente é o ponto mais forte de Esquissos. As letras de Tiago Bettencourt são de uma densidade
criativa de assinalar e para além disto, ainda há uma voz rouca com memórias de
Jorge Palma e a extraordinária
capacidade de oração de Sérgio Godinho.
Esquissos de boa música,
música que tem “A Carta”, harmoniosa declaração acústica que começa por nos dar
um grande nó no estomâgo, mas que à medida que o desatamos faz todo o sentido.
Tem “Cenário”, descarga de energia com um refrão orelhudo para nos libertar o
espírito. E tem “Cada Vez Mais Aqui”, um piano trémulo e uma voz que se
prolonga na prisão da alma ou a “Casca”, uma especie de tensão de uma Toranja inquieta.
Primeiros rascunhos de uma Toranja que apesar de verde, quando
espremida já deita sumo capaz de alimentar e muito, o sentido lógico de olhar
para o interior de cada um de nós e expulsar tudo o que se quer dizer e se sabe
dizer em bom português.

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