Linda
Martini
Olhos
de Mongol
Rastilho
(2006)
Há bandas que só pelo nome já são
praticamente sinónimo de qualidade. E há discos que só pelo título nos
despertam um pressentimento para o qual afirmamos: “isto deve ser bom!”
Ora então, partindo deste pressuposto, Linda Martini é um daqueles nomes que
nos soam bem e o título deste primeiro disco de longa duração, Olhos de Mongol, é no mínimo sugestivo. Olhos de Mongol porquê? Por serem
diferentes? E se forem diferentes, têm outra perspectiva da realidade que não a
do resto do mundo? Os Olhos de Mongol
dos Linda Martini parecem ter.
Este é um disco duro, cru e sujo até. É um
disco sem contemplações, que tem na sua raiva a arte direccionada por caminhos
de Post-Rock, Punk-Rock e barulho. Barulho, porque assim se esgota o pensamento e
se liberta a alma enclausurada na visão da realidade que não é de todos. Sinto
a “Cabeça a Cair”, faz parar, mas não faz pensar, nem avisa do verdadeiro “murro no estômago” que se sente com a
explosão de “Cronógrafo”.
Atordoados e indefesos, é assim que
recebemos “Dá-me A Tua Melhor Faca” e somos cortados em dois, ora de forma
intempestiva, ora de forma suave. Passa o estado inconsciente e abrem-se os
olhos que já são os Olhos de Mongol quando ouvimos José Mário Branco declamar: “Mãe, quero ficar sozinho/ mãe, não quero
pensar mais/mãe, quero morrer mãe/ eu quero desnascer”.
E por aqui a realidade já é outra, é
estuque aplicado em tons escuros, é tempo que não se pode desperdiçar na
urgência de “O Amor É Não Haver Polícia” e “Quarto 210”. É tempo que não se tem
no fim de um “Amor Combate” colonizado da primeira aparição dos Linda Martini e fechado no ciclo da
construção emotiva que a “Severa” eleva os Olhos
de Mongol de um pressentimento, a uma realidade.
A realidade de que afinal não há só o nome
da banda, afinal não há só o título do disco… Há música de qualidade e afinal
isto é mesmo bom!

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