The
Legendary Tigerman
Femina
EMI
(2009)
O álbum era para começar como filme. E que
elenco de luxo teria! Perdeu-se um filme, ganhou-se um álbum. Mas não é um
álbum qualquer. O “homem tigre”
excedeu-se e criou uma obra-prima!
Tigerman foi sempre um “one-man-band “. Nesta ode ao mundo
feminino, percebeu que não há melhor que
mulheres para cantar sobre mulheres pois, apesar de nem elas se perceberem
inteiramente, são as que conhecem melhor este universo. São elas que transmitem
a feminilidade inerente aos temas, em todos os seus pontos e particularidades.
Assim surge o convite a uma e depois a
outra, e a outra, e a mais uma e assim continua até formar este grupo
fenomenal. Todas mulheres, todas iguais se pensarmos que todas amam, sofrem,
vivem, sobrevivem, alegram-se, e mais uma infinidade de sentimentos. Mas todas
diferentes, no aspecto de como enfrentam todos esses sentimentos e de como os demonstram,
ou não. A fragilidade de umas, a força de outras, a doçura, a agressividade e a
revolta, a sensualidade e também sexualidade. Tudo está presente em Femina.
Yves
Saint Laurent uma vez disse: “Um
dia que o melhor e mais belo vestido que uma mulher podia usar eram os braços do homem que amam”. Podemos fazer
aqui a mesma analogia, todas estas vozes soam muito mais sentidas com a
guitarra de Tigerman a envolvê-las.
É um álbum com bases mais simples do que os
anteriores, para dar o protagonismo às vozes. A guitarra, como substantivo
feminino que é, também não perde nenhum protagonismo. Aliás, realça-se a ela
realçando as vozes. A voz de Paulo
Furtado tem também um papel fundamental, o do contraste e o do diálogo de
maneira a que os temas sejam mais teatrais.
Este é um registo melodicamente
consistente. Respira sensualidade, que é, aliás, o que se espera de um trabalho
com o nome Femina. É, realmente, um
dos melhores álbuns de sempre da música portuguesa, não é à toa que Paulo Furtado se auto-intitula The Legendary Tigerman.
“Life ain’t enough for you” Tigerman!”

Nenhum comentário:
Postar um comentário