Mão
Morta
Primavera
de Destroços
Norte/Sul
(2001)
Os Mão
Morta são uma banda de culto, uma das poucas sobreviventes da entusiasmante
década de 80 em Portugal. Adolfo Luxúria
Canibal e companhia mantêm o mesmo carisma e espírito singular que os
distingue da generalidade do panorama musical em Portugal ao longo destes quase
28 anos de carreira.
Exímios representantes do lado mais negro
do ser, a entrada dos Mão Morta no
novo milénio musical foi feito com o nono álbum de originais, Primavera de Destroços. E o que se pode
ouvir é um disco superior, fenomenal, fantástico e imperdível. Uma verdadeira
obra de arte que depois de tantos anos passados desde o homónimo Mão Morta,
oferece verdadeiras pérolas musicais.
“Cão da Morte”, “Arrastando o Seu Cadáver”,
“Tu Disseste”, “Penso Que Penso”, “Gin Tonic”, “O Jardim”, “Humano”, “Nada A
Perder”, “O Combate” e “Primavera de Destroços”. São este os 10 temas que
compõem relatos frios, crus, duros e frontais. A linguagem tão complexa que os Mão Morta deste sempre nos habituaram,
mais uma vez refrescando poemas morbidamente elaborados na visão inconfundível
do seu mentor Adolfo Lúxuria Canibal. Num registo spoken word cada vez mais refinado, as
mensagens são negras e os retratos são de horror, a musicalidade deixou alguma
da brutalidade desleixada de outros tempos e as guitarras tornaram-se mais
melódicas, complementadas pela inclusão de alguma Electrónica. A lírica assumiu de novo a liderança na percepção de
temas apaixonantes e arranjos deliciosos que fazem de Primavera de Destroços um projecto musical magnífico.
E no fim, “viveremos tudo revoltosos, nesta
Primavera de Destroços, sem dor, sem rancor,
sem remorsos, Nesta Primavera de Destroços”.

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