segunda-feira, 11 de junho de 2012

Norberto Lobo - Fala Mansa




Norberto Lobo
Fala Mansa
Mbari (2011)

Norberto Lobo é um músico notável, distinto e estimulante. A sua música tem os pés assentes no presente, mas nunca, por nunca, se esquiva do passado. É música dinâmica que no dedilhar da escola americana de John Fahey e lembranças de mestria de Carlos Paredes, respeita o que de melhor ficou de uma linguagem para a qual Norberto soube reinventar.

Depois de nos ter apaixonado com uma guitarra personalizada e um virtuosismo de assinalar nos dois primeiros trabalhos Mudar de Bina e Pata Lenta. Ao terceiro disco a solo, a singularidade de Norberto Lobo continua ímpar. Fala Mansa, mantém uma comovente sensibilidade sobre um sentimento de portugalidade característico, resultado de um tempo que passa, mas uma vontade que fica. E se nas raízes deste espírito tão português a música e a cultura não tivessem eternamente ligadas à melancolia, então a lírica e a expressão de Fala Mansa não fariam tanto sentido.

É um disco poético, são palavras que se revelam nas cordas de uma guitarra perceptíveis na linguagem universal. É uma expressão que conquista o mundo, desbravando caminhos para o oriente em “Chão Min de Luz”, lembrando o começo de toda a humanidade no africanismo de “Aconchego Solar” e reinventando o motor que movimenta a terra com os traços americanos de “Charleston para Jack”. E ainda há “Balada para Lhasa”, dedicada a Lhasa de Sela e “Shibuya Girls Parte II”, o lado mais íntimo de uma comunicação luminosa que termina ao som de um piano numa “Fala Mansa”.

Norberto Lobo é mais que um brilhante executante das seis cordas ou uma memória de Carlos Paredes no presente. É um músico desafiador e luminoso que exprime o seu talento por suaves afectos e compaixões, crescendo cada vez mais consciente de si, cada vez mais consciente de nós.


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