Norberto Lobo
Fala Mansa
Mbari (2011)
Norberto Lobo é um músico notável, distinto e estimulante. A sua
música tem os pés assentes no presente, mas nunca, por nunca, se esquiva do
passado. É música dinâmica que no dedilhar da escola americana de John Fahey e lembranças de mestria de Carlos Paredes, respeita o que de melhor ficou de uma linguagem para a
qual Norberto soube reinventar.
Depois
de nos ter apaixonado com uma guitarra personalizada e um virtuosismo de
assinalar nos dois primeiros trabalhos Mudar
de Bina e Pata Lenta. Ao terceiro
disco a solo, a singularidade de Norberto
Lobo continua ímpar. Fala Mansa,
mantém uma comovente sensibilidade sobre um sentimento de portugalidade
característico, resultado de um tempo que passa, mas uma vontade que fica. E se
nas raízes deste espírito tão português a música e a cultura não tivessem
eternamente ligadas à melancolia, então a lírica e a expressão de Fala Mansa não fariam tanto sentido.
É
um disco poético, são palavras que se revelam nas cordas de uma guitarra perceptíveis
na linguagem universal. É uma expressão que conquista o mundo, desbravando
caminhos para o oriente em “Chão Min de Luz”, lembrando o começo de toda a
humanidade no africanismo de “Aconchego Solar” e reinventando o motor que
movimenta a terra com os traços americanos de “Charleston para Jack”. E ainda
há “Balada para Lhasa”, dedicada a Lhasa
de Sela e “Shibuya Girls Parte II”, o lado mais íntimo de uma comunicação
luminosa que termina ao som de um piano numa “Fala Mansa”.
Norberto Lobo é mais que um brilhante executante das seis cordas
ou uma memória de Carlos Paredes no presente. É um músico desafiador e luminoso
que exprime o seu talento por suaves afectos e compaixões, crescendo cada vez
mais consciente de si, cada vez mais consciente de nós.

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