segunda-feira, 11 de junho de 2012

Os Golpes - Cruz Vermelha Sobre Fundo Branco




Os Golpes
Cruz Vermelha Sobre Fundo Branco
Amor Fúria 2009

Quem é que nunca ouviu falar em bailes populares?! Quem é que nunca por algum momento que fosse, teve a sensação de chegar o verão a honrar o Santo António, o São Pedro, ou o São João?! Marchar de balão na mão, sobre o som d'Os Golpes de martelo na fumaça das sardinhas, no cardápio das bifanas, antes de parar na roulotte das farturas. Ou por outra, quem é que nunca ouviu o cantar das histórias de amores e dissabores, de encontros e desencontros, na romaria da dança de uma canção de baile.

Trata-se de cultura e tradição. Trata-se da marcha gerada por uma pátria ausente, golpeada pela busca do tempo transparente. Trata-se de uma Cruz Vermelha Sobre Fundo Branco no bailarico dos tempos modernos.

Pró menino e para a menina, arranca o baile com o instrumental de “Cruz Vermelha”. “Ensina o canto, o canto, intocável e antigo, porque há quem dance, dance, a batida das palavras da língua da tua mãe”. E pelo “Canto”, já se dança a tradição misturada em argumentos de uma convincente petição Pop. Pop reinventada pelos descobrimentos "independentes” de uns quantos Heróis do Mar.

Pela “Marcha dos Golpes”, “o olhar é claro, o olhar é limpo”, sobre uma estrada vazia para os pormenores que foram cuidadosamente estudados na proclamação da portugalidade. Por entre largos municipais, portões de colégios e bolas para chutar, o passeio pela Avenida de Roma faz as “três tardes livres” ocuparem-se com sucessivas imagens de uma infância que traz saudade. Ora na evidente admiração pelo “pai” Pop português dos anos 80 em “Tarde Livre Parte I”, ora no começo algo tímido de um “filho” que se emancipa em “Tarde Livre Parte II”. O rufar dos tambores "strokeados" de “Tarde Livre Parte III”, é melódico quanto baste para desejarmos que todas as tardes sejam tão agradáveis assim.

Fecha-se um ciclo para a entrada na fase adulta onde cai “O Silêncio”. Caí a irreverência dá lugar à reflexão e, enquanto Jorge Palma em seu tempo perguntou: “Portugal Portugal, do que é que tu estás à espera?”, Os Golpes hoje denunciam que oFogo Posto” arde Portugal por dentro. Ciclo rítmico “Embarcadiço” por marés de "New Waves" e editoriais escritos por outros Editors

De canção em canção, o baile continua. A alegria atinge o seu esplendor quando se faz parte do extraordinário “Arraial”. Damos pulos riffados por guitarras populares, espalhando sorrisos nas voltas e voltas que damos com o nosso par. Não é nada que já não tivéssemos feito, mas é bom saber que a tradição afinal ainda é o que era. E enquanto a festa não acaba no segundo instrumental “Sobre Fundo Branco”, não perdemos nem mais um minuto de Folclore, disfarçado de Rock n´ Roll.





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