Os Golpes
Cruz Vermelha Sobre Fundo Branco
Amor Fúria 2009
Quem
é que nunca ouviu falar em bailes populares?! Quem é que nunca por algum
momento que fosse, teve a sensação de chegar o verão a honrar o Santo António, o
São Pedro, ou o São João?! Marchar de balão na mão, sobre o som d'Os Golpes de martelo na fumaça das
sardinhas, no cardápio das bifanas, antes de parar na roulotte das farturas. Ou
por outra, quem é que nunca ouviu o cantar das histórias de amores e dissabores,
de encontros e desencontros, na romaria da dança de uma canção de baile.
Trata-se
de cultura e tradição. Trata-se da marcha gerada por uma pátria ausente,
golpeada pela busca do tempo transparente. Trata-se de uma Cruz Vermelha Sobre Fundo
Branco no bailarico dos tempos modernos.
Pró
menino e para a menina, arranca o baile com o instrumental de “Cruz Vermelha”. “Ensina o canto, o canto, intocável e
antigo, porque há quem dance, dance, a batida das palavras da língua da tua mãe”.
E pelo “Canto”, já se dança a tradição misturada em argumentos de uma
convincente petição Pop. Pop reinventada pelos descobrimentos
"independentes” de uns quantos Heróis
do Mar.
Pela
“Marcha dos Golpes”, “o olhar é claro, o
olhar é limpo”, sobre uma estrada vazia para os pormenores que foram
cuidadosamente estudados na proclamação da portugalidade. Por entre largos
municipais, portões de colégios e bolas para chutar, o passeio pela Avenida de
Roma faz as “três tardes livres”
ocuparem-se com sucessivas imagens de uma infância que traz saudade. Ora na
evidente admiração pelo “pai” Pop português dos anos 80 em “Tarde Livre
Parte I”, ora no começo algo tímido de um “filho”
que se emancipa em “Tarde Livre Parte II”. O rufar dos tambores "strokeados" de “Tarde Livre
Parte III”, é melódico quanto baste para desejarmos que todas as tardes sejam
tão agradáveis assim.
Fecha-se
um ciclo para a entrada na fase adulta onde cai “O Silêncio”. Caí a irreverência
dá lugar à reflexão e, enquanto Jorge
Palma em seu tempo perguntou: “Portugal
Portugal, do que é que tu estás à espera?”, Os Golpes hoje denunciam que o
“Fogo Posto” arde Portugal por dentro. Ciclo rítmico “Embarcadiço” por
marés de "New Waves" e
editoriais escritos por outros Editors.
De
canção em canção, o baile continua. A alegria atinge o seu esplendor quando se
faz parte do extraordinário “Arraial”. Damos pulos riffados por guitarras
populares, espalhando sorrisos nas voltas e voltas que damos com o nosso par.
Não é nada que já não tivéssemos feito, mas é bom saber que a tradição afinal
ainda é o que era. E enquanto a festa não acaba no segundo instrumental “Sobre
Fundo Branco”, não perdemos nem mais um minuto de Folclore, disfarçado de Rock
n´ Roll.

Nenhum comentário:
Postar um comentário