Mariza
Fado
em Mim
World
Connection/EMI (2001)
Portugal
pode orgulhar-se dos vários embaixadores que teve ao longo tempo. Os
primeiros foram os nossos grandes descobridores, enfrentaram os mares, tornaram
tormentas em esperança, levando a nossa cultura e erguendo a nossa bandeira.
A nova geração de fadistas já não descobrem
territórios estranhos, mas continuam a levar orgulhosamente a nossa bandeira, o
Fado, além fronteiras. A nossa
cultura é, assim, cada vez mais respeitada e apreciada, por esse mundo fora. E
se isto acontece lá fora, cá dentro, neste país à beira mar plantado, todo e
cada um de nós carrega uma herança cheia de sentimento. O Fado é nosso e faz
parte de nós e nós somos o Fado e
fazemos parte dele.
Mariza assume isso mesmo.
Fado em Mim é o seu álbum de estreia
e melhor nome não podia ter. Ela é realmente uma perfeita personificação do Fado, do seu significado, do seu
estigma, a sua mensagem, o amor, as mágoas e a só nossa, Saudade…
Com inevitáveis referências e comparações à
Diva maior do Fado, Amália. Na
actualidade, Mariza é
indiscutivelmente, o nome maior do Fado em Portugal e no mundo. A fadista é uma
voz de referência, que tão bem canta a melancolia como a alegria alfacinha.
Crescer num típico bairro lisboeta, ouvir
Fado em vez de ver tv, os anos que cantou ao vivo em clubes e desgarradas,
tudo isto ajudou a que o seu dom e talento se revelassem ainda maiores.
Mas, apesar de todo o tradicionalismo que a
rodeou ao longo do seu crescimento, é curioso ver a imagem que assumiu para si,
uma imagem nada canónica para uma
fadista. Podem chamar-lhe extravagante, pois é o que é, uma voz extravagante.
Tem uma capacidade técnica, um alcance vocal, uma expressividade sentimental
que vai para lá desta dimensão.
A carga
que põe em cada Fado faz com que até
os não apreciadores do género não consigam ficar indiferentes. E assim
conquistou o mundo e assim fez com que se rendessem a seus pés.

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