segunda-feira, 11 de junho de 2012

Orelha Negra - Orelha Negra




Orelha Negra
Orelha Negra
Arthouse (2010)

Em 2010 surgiu um dos projectos mais inovadores da música feita em Portugal, por portugueses. São os Fantastic, não Four mas, os Five. Os super heróis que vieram salvar a música da monotonia.

São 12 canções que trabalharam depois de terem escolhido por entre, qualquer coisa como, 80 esboços de temas. Obviamente criatividade há, não em demasia porque o que é bom nunca é demais mas, em grande quantidade. Cada músico traz a sua identidade e todas se fundem, sem serem perdidas mas antes complementando-se.

Estes cinco fantásticos já tinham provas dadas de projectos anteriores. Quando, durante uma digressão, se juntaram, as Jams eram uma constante e daí surge o conceito. A partir de alguns ensaios, as coisas começaram a definir-se. Dj Cruzfader, Sam the Kid, Fred Ferreira, Francisco Rebelo e João Gomes tornam-se Cruz, Mira Profissional, Ferrano, Rebelo Jazz Bass e Gomes Prodigy.

Também o trabalho gráfico do disco (Sleeveface) está à altura do trabalho musical. Este “esconder a cara” é um tributo à música, é pô-la em primeiro plano e não os músicos em si.
Se, como já foi referido, criatividade não falta, todo o processo de criação e gravação não deve ter sido coisa fácil, no sentido em que todos são grandes músicos de improviso. Pode parecer mais fácil mas, pelo contrário, exige muito mais organização e definição prévia do que se pretende.

“Primeiro estranha-se, depois entranha-se”. É verdade que pode soar estranho num primeiro contacto mas a verdade é que depressa nos apercebemos do tesouro que temos o privilégio de estar a ouvir. Se a música é cíclica e hoje se revivem anos clássicos como os 60’s e os 70’s, eles pegam nesse revivalismo e reinventam-no com uma marca que vai ser sempre inconfundivelmente Orelha Negra.

A Soul e o Funk destas décadas são a inspiração mais óbvia para o ouvinte, mas a base não podia nunca deixar de ser o Hip Hop. Eles pegam em canções e transformam-nas com uma criatividade e originalidade digna de mérito. Os samples de Soul, Funk, Jazz, são embutidos em batidas e ritmos de Hip Hop, acrescentam-se os fantásticos scratchs, a irreverente mas, ao mesmo tempo, determinada bateria e o altamente criativo baixo e temos composições irreverentes e magníficas. Mas nem todas as canções são feitas de revivalismos, algumas são compostas por uma carga bem mais urbana, com o Hip Hop a sobressair e Break Beats, outras com cargas mais pesadas, com a percussão e a distorção de guitarras a viajar mais por territórios do Rock. Há também o Chill Out e, se se prestar atenção, ritmos de Bossa Nova e Samba, entre outros, que até soam a Deep House se conseguirmos ouvir por detrás do Jazz. As músicas estão, efectivamente, bem conseguidas. São imprevisíveis. Transpiram Groove! Este disco tem tudo. É só necessária abertura para entrar na aventura!


Nenhum comentário:

Postar um comentário