segunda-feira, 11 de junho de 2012

O Bisonte - Ala




O Bisonte
Ala
Edição do Autor (2011)


Para quem ainda não sabe, O Bisonte é um animal, do Porto, intempestivo e determinado. Alimenta-se do confronto à apatia da sociedade e habita na Ala de uma nova revolução para despertar a consciência. Usa o poder da palavra como a sua principal investida, faz da crítica a sua maior manifestação e tem no peso das guitarras a força exacta para o começo da debandada.

É composto por um esqueleto rijo, de casco duro e cornos curtos, que arrancam com a velocidade e agressividade de quem não quer “ficar no princípio do erro”. Apresenta-se “enxuto e demasiado barbudo para alegrar a Laia, essa escumalha que tem vontade de espancar”. Tem energia, patifaria e pancadaria sobre “milhares de homens na rua”, naquela que é a acção mais honesta de uma electrizante sequência de riffs que terminam em “Acácia”.

Vão-se as primeiras demonstrações de bravura e fica a paisagem acústica onde O Bisonte permanece calmo e sereno num estado “Imóvel”. Planície de Country com solo seco e ondas de calor num horizonte que se encontra na nova visão de “E depois do Adeus” de Paulo de Carvalho. Uma visão minimalista que vai crescendo da apatia para o renascimento da atitude de quem acredita que a revolução não terminou em Abril de 1974.

Chega a “Bandidagem”, chegam as palavras de ordem na voz de Davide Lobão que nos traz recordações de Manel Cruz com mais berraria e desatino numa exaltação ao estilo Punk. Chega também a “Matilha dos Tristes” e chegam os “cabrões que voltaram” para ver O Bisonte enraivecido na rebelião do Rock n' Roll.

Para quem ainda não sabe, O Bisonte fala de pessoas, fala do jogo de relações, do bom e do mau. Investe contra a falta de acção humana e manifesta-se na celebração da alegria e da tristeza de viver todos os dias. Nasce possante, reproduz-se confiante e alinha-se determinado ao ritmo da manada que se desenvolve na Ala de uma nova revolução.




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