O Bisonte
Ala
Edição do Autor (2011)
Para
quem ainda não sabe, O Bisonte é um
animal, do Porto, intempestivo e determinado. Alimenta-se do confronto à apatia
da sociedade e habita na Ala de uma
nova revolução para despertar a consciência. Usa o poder da palavra como a sua
principal investida, faz da crítica a sua maior manifestação e tem no peso das
guitarras a força exacta para o começo da debandada.
É
composto por um esqueleto rijo, de casco duro e cornos curtos, que arrancam com
a velocidade e agressividade de quem não quer “ficar no princípio do erro”. Apresenta-se “enxuto e demasiado barbudo para alegrar a Laia, essa escumalha que
tem vontade de espancar”. Tem
energia, patifaria e pancadaria sobre “milhares
de homens na rua”, naquela que é a acção mais honesta de uma electrizante
sequência de riffs que terminam em “Acácia”.
Vão-se
as primeiras demonstrações de bravura e fica a paisagem acústica onde O Bisonte permanece calmo e sereno num
estado “Imóvel”. Planície de Country com
solo seco e ondas de calor num horizonte que se encontra na nova visão de “E
depois do Adeus” de Paulo de Carvalho.
Uma visão minimalista que vai crescendo da apatia para o renascimento da
atitude de quem acredita que a revolução não terminou em Abril de 1974.
Chega
a “Bandidagem”, chegam as palavras de ordem na voz de Davide Lobão que nos traz recordações de Manel Cruz com mais berraria e desatino numa exaltação ao estilo Punk. Chega também a “Matilha dos
Tristes” e chegam os “cabrões que
voltaram” para ver O Bisonte
enraivecido na rebelião do Rock n' Roll.
Para
quem ainda não sabe, O Bisonte fala
de pessoas, fala do jogo de relações, do bom e do mau. Investe contra a falta
de acção humana e manifesta-se na celebração da alegria e da tristeza de viver
todos os dias. Nasce possante, reproduz-se confiante e alinha-se determinado ao
ritmo da manada que se desenvolve na Ala de
uma nova revolução.

Nenhum comentário:
Postar um comentário